O Ego e o Egoísmo.


O Ego e o Egoísmo.

Assim como uma faca pode ser perigosa, ou não, dependendo do seu manejo e uso, o ego humano também pode ser útil ao bem maior, como pode se tornar causa de queda moral do ser humano quando ele é o centro dos desejos inferiores. O ego é importante parte na estruturação da personalidade, tem função importante como referência na autoestima, mas também serve de alavanca para o egoísmo quando a consciência está imersa no pântano das ilusões.

O ser humano egocentrado nos seus desejos inferiores deixa de dar sua contribuição para a melhoria do mundo; se afasta e se fecha em seu mundo particular e em nada contribui com a coletividade tornando-se só um explorador. Deseja o poder para se mostrar lustroso na sociedade. Para realizar seu intento manipula tudo e todos e se corrompe em sua dignidade. Pensa somente em suas próprias necessidades e deseja ter mais, cada vez mais, para satisfação de sua ganância. Mas a ganância é um gigante voraz que engole o próprio ganancioso que nunca se satisfaz; quanto mais tem mais deseja ter. A ganância é insaciável.

Entrar no mundo e sair dele sem tê-lo deixado um pouco melhor é uma perda lamentável de oportunidade. Cada ser humano tem oportunidade de contribuir com o seu momento histórico no mundo; cada ser humano tem algo para acrescentar ao progresso da humanidade. O progresso e a prosperidade do indivíduo e da humanidade dependem do tamanho de sua generosidade. O ser humano egoísta pode acumular bens materiais e dinheiro, mas isso não é necessariamente prosperidade, porque a prosperidade só frutifica no terreno da generosidade. O progresso resumido ao que é temporal é um jogo, e todo jogo tem ganhos e perdas. O progresso centrado no atemporal gera abundância e prosperidade continuamente. Progresso atemporal é sinônimo de evolução, e evolução é movimento na direção do mais alto, do nível mais elevado da consciência humana.

Todo ser humano possui a semente do bem; ela pode germinar agora ou daqui a mil anos. Alguns pensam que ele traz também a semente do mal, mas isso não é verdade. O mal germina a partir da adulteração “genética” da semente do bem. Assim, o egoísmo resulta da adulteração do amor e da compaixão.

Experimentar o sagrado da vida é dar-lhe sentido. O egoísta não se importa com o sentido maior da vida, porquanto ele profaniza a vida ao desrespeitar aqueles que lhe servem através das milhões de conexões existentes em cada objeto possuído. Um só grão de arroz que sobra no prato pode estabelecer conexões com milhões de seres humanos. E se formos mais adiante iremos perceber que essas conexões não têm fim. Ninguém pode ser egoísta pensando no entrelaçamento existente entre tudo e todos. O sagrado é o ato de dar sentido à vida; se a vida não tem nada de sagrado, se a vida se torna profana, o ser humano perde o sentido de viver abrindo um buraco na sua alma por onde se esvai a sua vitalidade entrando em depressão.

Viver o sagrado da vida é fazer a alma vibrar em cada momento, em cada evento, em cada experiência, em cada relacionamento, seja com o que for e com quem for. Viver é vibrar na potência máxima da alma. Fora disso só existe sobrevivência.

A vida só tem sentido quando a consagramos ao bem maior, ao bem coletivo; quando compartilhamos e colaboramos generosamente para o progresso de todos. A vida perde sentido quando nos tornamos egoístas; quando nosso pequeno e serviçal ego se torna o senhor dos desejos. Desejar é bom ou é mau; depende do centro que emana o desejo.




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